Profª Drª Zélia Lopes da Silva - Editora
Patrimônio e Memória,
neste volume 5, número 2, traz para o público leitor parte das
discussões ocorridas durante o V Encontro de CEDAP sobre o tema “Memória, ética, direito”.
Alguns desses textos compõem o dossiê sobre os bens culturais,
materiais e imateriais, que transitam entre a esfera pública e privada. Traz, ainda, as sessões: acervos, comunicações de pesquisa e resenha que discorrem sobre assuntos variados atinentes aos interesses e ao perfil da revista.
O patrimônio material e imaterial, perscrutado em
seus fundamentos teóricos e em sua materialidade simbólica foi
discutido nos textos agrupados no dossiê Patrimônio material e imaterial: a tradição revisitada.
A proposta volta-se para a reflexão sobre os caminhos tomados por
esses bens culturais que ganharam reconhecimento por sua inscrição no
mundo das relações sociais, de homens e mulheres, forjando expressões
culturais cujos traços vinculam-se à longa tradição transmitida por
gerações sucessivas até os dias atuais. Certas classificações como
patrimônio material e imaterial foram discutidas conceitualmente. E,
também, as certezas já consagradas sobre as noções como memória,
patrimônio e história, que teimam em não incorporar a pluralidade de
experiências de sujeitos históricos ainda hoje estão à margem das
instituições de preservação. São paradigmáticos, por exemplo, os
estudos da imprensa, que, ao produzirem certos “esquecimentos” na
elaboração de sua memória, contribuíram para produzir visibilidades e
invisibilidades em sua história que atravessaram o tempo. Essa
compreensão desdobra-se para os arranjos classificatórios desses
impressos, que carregam esses mesmos pressupostos valorados e que
determinam o que deve ser ou não considerado parte da memória edificada
(hegemônica) e tornada digna de ser preservada. Navegando
aparentemente em águas mais amenas. temos o mapeamento do patrimônio,
edificado e em papel, constitutivo das Fazendas do interior de São
Paulo, que igualmente carregam suas especificidades e tensões. Alguns
desses bens foram perdidos pelo desgaste do tempo, pela fragmentação ou
pela simples destruição por aqueles que os herdaram ou adquiriram
através da compra. A outra face desse debate memorialístico aparece nos
processos judiciários que demarcam perfis e valores e a quebra deles,
em distintas situações da sociedade brasileira.
E, igualmente, traz a nova sessão Acervos,
cuja finalidade é divulgar para o público os bens culturais em seus
diferentes suportes materiais em outras regiões do país. As informações
ali contidas trarão importantes contribuições aos leitores e
pesquisadores que saberão aonde localizar materiais diversos e ampliar
as suas possibilidades de pesquisas. Já a sessão Comunicação de Pesquisa
tem um perfil especial e se destina à publicação da produção de mestres
e mestrandos. Embora os textos passem por critérios idênticos de
avaliação aos demais, estão assim classificados em função de avaliação
externa do periódico. Os textos aqui apresentados discutem assuntos
atinentes ao dossiê acima organizado no campo dos bens culturais e de
temas pesquisados em periódicos, que igualmente são argüidos em seus
fundamentos enquanto veiculadores de projetos e de demarcação da
memória construída para sua perpetuação. O livro resenhado contém
textos clássicos que discutem a problemática do campo, as diretrizes e
as experiências vivenciadas pelos sujeitos ali inseridos, em diferentes
momentos de sua trajetória, entre os anos 1960 e 1970.
Dialogando com o temário desse volume, a capa traz os
desenhos de arte indígena, inscrita no corpo dos Wapâji, erigida a
patrimônio da humanidade pela UNESCO . Esse reconhecimento partiu da
percepção da beleza dessas representações e da significação para essa
comunidade que carrega inscritos no próprio corpo os valores, os
compromissos e os traços de identidade cultural do grupo, sintetizando a
sua cosmovisão, cujo sentido é ligar o passado de seu povo às novas
gerações que representam a sua continuidade no tempo.
Como vê, caro leitor, disponibilizamos para você, em curto espaço de tempo, dois números de Patrimônio e Memória,
que certamente será uma surpresa alvissareira para o encaminhamento de
suas reflexões que terá como suporte textos cujas temáticas têm
mobilizado interesses diversos nos dias atuais.
Assis, 10 de dezembro de 2009
Profª Drª Zélia Lopes da Silva - Editora
e-mail: patrimonio-e-memoria@assis.unesp.br

