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O volume 3, n. 1, número especial da revista eletrônica do CEDAP, Patrimônio e Memória, apresenta ao público leitor os textos expostos, pelos convidados do Brasil e do exterior, durante o IV Encontro de CEDAP que discutiram o temário Os acervos pessoais e a memória coletiva, de 7 a 9 de novembro de 2006, na Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, campus de Assis. O interesse pelo assunto, em certa medida, projetou-se como desdobramento das discussões realizadas no evento anterior que sinalizaram nessa direção. Inquirir sobre o papel que os acervos individuais representam, na atualidade, para o conhecimento de aspectos das vivências pessoais e seus entrelaçamentos na esfera coletiva, o sentido pessoal de tal coleção, e as questões suscitadas para a disponibilização desse material ao público é, sem dúvida, um desafio para os interessados nesses legados.
Para essa publicação, os textos aqui reunidos foram agrupados a partir de três blocos temáticos ou dossiês, que se articulam em torno dos acervos pessoais e suas possíveis relações com a memória coletiva, seguindo os caminhos propostos para o debate do temário ao longo do evento.
Admitindo-se a complexidade do assunto e as múltiplas possibilidades oferecidas para sua reflexão, o primeiro dossiê tratará de questões gerais envolvendo a problemática da memória. E, também, da significação dos acervos pessoais, em sua materialidade individual e suas possíveis articulações, no âmbito de um grupo ou de uma coletividade maior.  Sem ignorar essas peculiaridades, alguns textos tratarão das biografias e autobiografias construídas a partir de suportes diversos, expressos em escritos próprios — tais como: cartas, diários, autobiografias, etc — que constituem partes consideráveis desses acervos e elementos de modelagem dos perfis dos sujeitos, no esforço de construção da imagem pretendida (consciente ou não) para sua exposição na esfera pública.
O dossiê seguinte indaga em que medida ocorre o entrelaçamento entre o público e o privado no cômputo dessa problemática, e até que ponto esses acervos servem de mediadores na construção de certa memória coletiva que se quer consagrar. Se os caminhos iniciais de arquivar a própria vida se articulam a objetivos difusos, os sentidos que permeiam a preservação do que foi acumulado ao longo daquela trajetória pessoal são totalmente diferentes, quando esses acervos são repassados para uso público. Esse assunto será debatido no último dossiê, que discute as peculiaridades dos acervos pessoais e temáticos e os desafios para sua organização. Depurados pela intervenção do autor ou da família, quando chegam ao espaço público, sofrem nova reavaliação dos mediadores e seus saberes (os técnicos em arquivística, historiadores, etc), que produzem arranjos propiciadores de nova organicidade para esses legados, nem sempre isentos de tensões. Os arquivos temáticos, se na origem de sua constituição e organicidade atendem a outros objetivos, a destinação final não os diferencia dos acervos pessoais.  
O ordenamento das reflexões do temário desta publicação foi materializado no postal que ancorou o cartaz do Encontro, e que foi veiculado na Europa nas primeiras décadas do século XX.  O postal, confiscado do álbum da jovem italiana Carolina Attanasio que viveu em Jaú (São Paulo), hoje sob a guarda do Centro de Documentação da Fundação Educacional "Dr. Raul Bauab" – Jahu, materializa a problemática discutida nessa publicação, por sugerir na dupla imagem — do modelo e sua imagem refletida no espelho — o sentido que dotamos os nossos tesouros simbólicos (verdadeiros semióforos por ligarem o visível ao invisível) guardados ao longo de nossas vidas. Talvez, a esperança seja que eles se projetem além dos vestígios de nossas vivências passageiras.
Enfim, o leitor poderá, então, nesse número, acompanhar parte das reflexões ocorridas no decurso do evento que ocorreu graças aos apoios financeiro que propiciaram a vinda dos convidados externos, o que tornou possível o acalorado debate ocorrido durante as várias atividades do evento e, também, o material para esta edição de Patrimônio e Memória.

Assis, 15 de abril de 2007
Profª Drª Zélia Lopes da Silva - Editor
e-mail: patrimonio-e-memoria@assis.unesp.br