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Profª Drª Zélia Lopes da Silva - Editora

Neste volume 5, número 1, de Patrimônio e Memória o público leitor terá conhecimento das discussões sobre os múltiplos significados relativo aos espaços públicos, aos bens naturais e culturais e a busca de identidades em diferentes situações. Essas reflexões estão presentes nos textos que compõem o dossiê, nas sessões de artigos, de comunicações de pesquisa e nas resenhas.
O dossiê “Os espaços da rua e das praças: os seus usos e significados” agrega um conjunto de textos que versa sobre diferentes representações que emergem na ficção e nas práticas sociais, tomando como lugares referenciais as ruas, praças, cafés e demais espaços, nos séculos XIX e XX, em Portugal e no Brasil. Eles são motes para reflexões que rediscutem os valores burgueses de além mar e dos usos desses lugares nos momentos de descontração da sociedade brasileira, nas festas, nas celebrações e lazer, como o carnaval e o footing. Também são ocupados por manifestantes nos protestos diversos para conseguir direitos e reafirmar identidades e, em momentos, que propiciam sociabilidades diversificadas. Neles aparecem também os monumentos, verdadeiros semióforos, que relembram acontecimentos considerados elos entre os ideais e as lutas travadas para sua consecução e são mediadores entre o passado e o futuro, acionados para evitar o esquecimento das gerações futuras dos combates travados por homens transformados em heróis, como é o caso dos monumentos relativos ao levante constitucionalista de 1932, em São Paulo. Os cafés e o botequim assumem papéis fundamentais como espaços de sociabilidade e de novos hábitos e costumes associados ao café e a cachaça. Essas bebidas tiveram sua difusão na Europa resultante do processo de colonização dos povos das Américas e de outros Continentes e passaram a ser objeto de discussão do saberes médicos, europeu e local, que classificaram os benefícios ou não de seu uso e, também, os seus usuários. A sua difusão propiciou a criação dos “cafés” e do “botequim” e definiu também os seus freqüentadores e a legitimidade ou não tanto aos espaços quanto aos seus adeptos.
A sessão Artigos traz para você leitor, textos que discutem questões sobre experiências de vida de sujeitos, homens e mulheres, que se expressam na construção de identidades forjada nos sonhos e lutas e em suas práticas culturais diversas, que ao se colocarem à margem da sociedade brasileira como os quilombolas buscaram preservar os seus costumes e práticas culturais, em conformidade às remotas lembranças da tradição africana e no enfrentamento dos problemas como discriminação social e racial; na coleção Las mujeres españolas, portuguesas y americanas, produzida na década de 1870, que expõe, através da linguagem iconográfica e textual, por meio da temática feminina, dos conteúdos, concepção do projeto gráfico e noções de mundo, as características nacionais espanholas; nos usos dos bens patrimoniais e naturais do país, as políticas públicas, diretrizes e desafios para o seu uso e conservação; e, ainda, na disputa pela memória, a partir do filme Lamarca, de acontecimentos relacionados aos anos 1960/1970 que marcaram a sociedade brasileira quando homens e mulheres pegaram em armas com vistas à redefinição do modelo político em vigor.
A sessão Comunicação de Pesquisa traz textos que discutem a revolução mexicana e também a identidade de grupos originários de países europeus que se fixaram na região de Penápolis, interior de São Paulo que ressignificaram suas práticas culturais na inter-relação com a comunidade local. Essa sessão tem um perfil especial e se destina a publicação da produção de mestres e mestrandos. Embora os textos estejam submetidos às mesmas exigências dos artigos e passem por critérios idênticos de avaliação, estão assim classificados em função de critérios externos de avaliação do periódico.
A sessão resenhas fecha este número com textos que avaliam livros sobre o patrimônio natural e cultural, respectivamente. Uma delas trata das Unidades de Conservação voltadas para o patrimônio natural e a outra discute livro que enfoca o patrimônio cultural do país e propõe ações para sua preservação e conservação.
A foto da capa estabelece um liame com o dossiê deste número. Cenas cotidianas repetem-se nesta praça: transeuntes fazem uma parada para descansar e “pensar na vida”; os donos e seus animais flanam por suas alamedas; as crianças treinam suas habilidades com as bicicletas; os namorados encontram-se para trocar confidências e juras de amor; os adolescentes colocam o papo em dia; os grupos religiosos reúnem-se para reafirmar sua fé. Por ela passam barulhentos e com passos apressados para não perder a hora, os estudantes das escolas próximas. Enfim, um espaço de muitos acontecimentos que ganha mais animação às 5ª feiras, ao abrigar a feira-livre nas ruas laterais, como mostra a foto. Com vê, caro leitor, vale conferir.

Assis, 24 de outubro de 2009.
Profª Drª Zélia Lopes da Silva - Editora
e-mail: patrimonio-e-memoria@assis.unesp.br